Prosas vadias

A CIDADE CONTI...NUA... NUA


 


Reduzir a questão cultural em Coimbra à subsídio-dependência ou pretender transformar o debate cultural numa questão meramente politica, encerrada na bipolarização entre "canhotos" e "bonzos" em luta pelo poder camarário demonstra, cabalmente, a pobreza do espírito que grassa por estes dias na cidade. Está -lhes no sangue o facto de manterem aceso o facho da perenidade ou de uma futricidade serôdia, como se a cidade fosse sempre a mesma e roda-se sobre si com que afirmando a sua beleza já caduca. Muito gostam de reduzir a questão ao bipolarismo. Estranho prazer. Questão freudiana a estudar com atenção. Caso não saibam estes senhorecos que poluem o ar com as suas diatribes politiqueiras e comicieiras estultas enfeudam-se nos seus estatutos de cultores de politicas culturais absurdas. Mesmo que estas estejam prenhes de contradições e de atavismos folclóricos. Porque é disso que se trata. Não sou membro de nenhum partido politico, não recebo comendas nem prebendas, nem municipais, nem nacionais, dai estar  à vontade e plenamente convencido que numa cidade como esta os dias correm cada vez mais como sempre correram ...no sentido contrário ao das águas do Mondego. Na vez de correram na direcção do mundo, encerram-se nos seus desideratos locais e localizados. Bem hajam meus caros, sejam felizes com a vossa entoação canora e com a qual  pretendeis manter o poleiro no velho fado coimbrão. Nada de melhor, tudo para pior. Velha sina de uma cidade que se afunda entre auto-elogios embrulhados nas tangas de um linguajar estupidificante e o desejo de eterno retorno ao que nunca foi. Terra triste de ineses e pedreses a esmo. Em cada pedra da calçada que pisais apenas enterrais o sentido cívico de uma cidade plantada nas bordas de um rio. Eternamente à espera do amante. Daquele que ama a cultura. A cultura despida dos "chás de parvónia" com que a adocicais. Ai meu velho Aguiar que nunca mais mudas a folha...



No entanto o mundo pula e avança...o Fernado Campos prepara a sua próxima exposição de pintura no espaço do Restaurante Nacional, ali para os lados do Arnado, a partir de Março e em Coimbra. Com a cultura deles é que não alinhamos...desculpem lá qualquer coisinha.

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