Nada melhor que um afável e simpático burro para começar a zurzir nas declarações provenientes a público do responsável pela Metro Coimbra.
Embora retiradas de mais largo contexto estas valem por si. Sequem sublinhadas, por mim, tal como chegaram ao meu conhecimento através de um órgão da imprensa local, simpaticamente designado, em linguagem coimbrinha, como "Calinas" e que transcrevo "copy-paste": "«Na opinião de Álvaro Maia Seco, o estacionamento no centro da cidade é demasiado valioso para ser gratuito, pelo que o pagamento deve ser usado como «instrumento de regulação da procura», penalizando estacionamentos de longa duração. «É aceitável que a primeira meia hora seja gratuita, a segunda hora já seja a doer e a terceira hora demasiado cara ou mesmo proibida»".
Na realidade, caro senhor, a primeira meia hora não dá sequer para tomar café, no decurso da segunda hora ainda muitos de nós estaremos nas longas filas da Loja do Cidadão esperando que chegue a nossa vez e, finalmente, na terceira e última hora (a tal que, segundo palavras doutas, deve ser já tão demasiado cara que só provavelmente os amigos dos gajos "porreiraços" a podem pagar) sirva como uma espécie de ordem de expulsão dos indesejáveis cidadãos que abusivamente permaneçam no interior da cidade. Ora quem vem da margem Sul deixa o carro onde? Apanha o Metro para a Baixa onde? Na Lapa dos Esteios? Sabe V. Ex.ª, por acaso, que três horitas passam num instante quando se tem que ir às comprinhas à "Baixinha"? Não sabe? Claro que V. Ex.ª terá concerteza alvará de circulação e utilização VIP, quer nos parques de estacionamento, quer nas lojas do actualmente designado comércio tradicional. Que de tradicional tem já muito pouco. Não justifica vender sapatos na baixa para se dizer que o referido estabelecimento faz parte do designado comércio tradicional. O senhor pode ser professor universitário, com currículo na área em questão, mas o que o senhor não explica é a quem iremos pagar tão elevado preço pelo estacionamento. Esse seria um primeiro ponto para todos entendermos porque teremos que ser deste modo penalizados pela utilização do burro que nos transporta até à cidade. E se, os comerciantes, os que acreditarem em si, esperando que, com estacionamentos tão caros, segundo as suas palavras, passarão a ter mais clientes, bem podem esperar muito bem sentados atrás do balcão. É certa a necessidade de ordenamento, para isso são necessárias zonas de estacionamento, que não existem, nas zonas periféricas. O que existe não chega para as necessidades. Repare que por exemplo de Condeixa-a-Nova a Coimbra, míseros 20 km, feitos em 10 minutos (simpaticamente, não ultrapassando limites de velocidade) em viatura própria, demora-se uma hora a percorrer em transporte público. Não há paciência que resista, ainda por cima depois de pago o imposto de circulação, que impeça a não utilização do transporte pessoal. A sua miragem pode ser imposta, sem dúvida, quando observo o que se passa no estacionamento na própria zona universitária, com milhares de funcionários e alunos e centenas de carros sem opções, ou com opções de transporte desadequadas. Eu, que utilizei, desde o primeiro momento, o parque periférico da Casa do Sal, onde deixava o burro, para a partir daí aceder à Alta, fiquei à uns tempos a ver passar os burros, porque o serviço havia pura e simplesmente terminado depois de mais um engenheiro o ter inventado como a solução do século XXI para o desanuviamento do tráfego urbano de Coimbra e em especial da zona universitária. E, no dia em que vir o Metro a passar, irei lembra-me destas suas palavras e perguntar onde está o tal elevador que a este e seguindo a Couraça de Lisboa, se construído, permitiria elevar os cidadãos, auto-transportados, da Avenida Navarro, até à Alta da cidade. Esta zona, que engloba o terminal actual da Linha da Lousã e onde se deveria ter deixado espaço para alargar a oferta de estacionamento, foi "simpáticamente" ocupada pelo belo "Jardim do Mondego", dado os terrenos terem alto valor para construção (especulação, será a palavra mais apropriada) imobiliária, mandando, desse modo, para as calendas o interessante e referido projecto. Assim pelo contrário, embora desaparecida a velha Torre da Portagem, volta-se a taxar os cidadãos para entrarem na cidade. Penso que já é medievalidade a mais. Daí que passarei a optar pelo burro para entrar na cidade de V. Exmª, deixando-o a pastar junto do Joaquim de Aguiar.