
O neo-liberalismo português actual assemelha-se muito com as práticas "negreiras" do século XIX nas denominadas colónias portuguesas de África. Muitos dos actuais gestores que integram as ECP's, (Empresas de Capitais Públicos, criadas com a finalidade de reduzir os efectivos da Administração Pública e promover uma rápida e eficaz privatização dos serviços) são, na sua maioria, imberbes. Entre estes, embora aqui não se pretenda universalizar esse comportamento, existem personagens que nunca puseram os pés num curso ou escola de gestão, doutros duvida-se, muito seriamente, das habilitações académicas que dizem possuir. Contudo aprendem rapidamente a soletrar a palavra lucro. No fundo é isso que interessa saber. Relações humanas e relações de trabalho são fomentadas através de um chicote e incentivadas pelo açoite em reuniões entre as partes que apenas servem para vincar e justificar os pontos de vista da gestão por objectivos. Objectivo que, na maioria dos casos, é o único que perseguem. Parecem meninos/as que cresceram a ver as séries infanto-juvenis da "Heidi", do "Jimba" e que evoluíram posteriormente para o "Action Man" ou para a "Barbie". Assim, de repente, aprenderam precocemente a gerir E.P.C's como quem olha para "bonecos", em vez de pessoas. Dividem o seu pequeno mundo (o do poder de tomar decisões) entre os bons (os que lhes "aparam" o jogo, ou Yes") e os maus (os que colocam em causa, em forma de múltiplas dúvidas, as poucas capacidades e as decisões mal tomadas e direccionadas). O problema da arbitrariedade é que um dia acaba. Mal. Para ambos os lados. Perdem as empresas, porque deixa de ter trabalhadores interessados e dedicados e conhecedores. Perde o país, porque a competitividade não se devia medir apenas em termos lucrativos conseguidos com a diminuição de custos e o aumento da pressão e do caos gerado nos locais de trabalho. Mesmo que cá fora exista um exército de desempregados. Mesmo que verdadeiros gestores estejam muitos deles no desemprego, pouco interessa ter no conjunto quem pense e dirija de forma diferente. Quem queira trabalhar de forma digna, sem ser escravo. O chamado "MOBBING" (caso alguém leia isto e se interesse por estas novas realidades do mundo do trabalho aconselho a investigar o seu significado e as implicações. Está tudo ao alcance de um simples clique) aí está. Embora silenciado, na comunicação social, ele é hoje uma realidade em muitos locais de trabalho. Até no seio da própria comunicação social existe em franco progresso, como os jornalistas bem sabem. Chegou finalmente, de mansinho, às denominadas empresas de capitais públicos. Desagregados, e demitidos das suas funções reais, os sindicatos, obrigados a definirem-se ideologicamente e a optar por pertencerem a uma das duas centrais sindicais existentes, pois só deste modo alcançam o estatuto de parceiro no diálogo com as administrações, deixaram de ter papel real. Pouca, atrevo-me a dizer pouca, força detém. Coagidos e dirigidos por quem gosta de se eternizar no poder, pouco ou nada fazem. Aparecem hoje, aos olhos de muitos dos trabalhadores, transformados numa espécie de cobradores de fraque, desculpem, de quotas. era o que eu queria escrever.