Escutei atentamente a entrevista do Primeiro-Ministro, no fim, e não no fim dos diversos comentários, que soube existirem, para os quais já não tive a devida pachorra e por isso não ouvi, apenas me ocorreu uma palavra: demagogo. Seremos um país de bestas ingovernáveis, tão sólidas parecem ser as razões apresentadas pelo actual Primeiro-Ministro? O que sei sobre demagogia diz-me muito. E mais não digo. Embora entenda que o país, no seu todo, parece sugerir ser ingovernável. Embora entenda que muitos, que tiveram paciência para o ouvir, acenaram que sim com a cabeça às suas palavras, como que convencidos. Ou aparentemente convencidos, ou definitivamente convencidos. Em redor de José Sócrates(e da sua claque)a aridez é deslumbrante. Por muito que se esforcem as alternativas roçam o zero. Assim como a falta de inteligência e faro político que deviam aparentar nestas ocasiões. Mas não, apenas o zero parece ser o limite do seu razoável.
(#) Publicação bimensal publicada por Gualdino Gomes e Carlos Sertório, entre 30 de Novembro de 1891 e 31 de Janeiro de 1892, ao preço constante de 50 réis.