Foto de Ana Rita
Mero acaso trouxe ao meu conhecimento que o "Memorial de Camões", existente em Coimbra, não se encontra completo. Para quem não saiba o referido memorial encontra-se, depois de peripécias múltiplas, que não vem aqui ao caso relatar, na Avenida Sá da Bandeira, desde o ano de 2005. Local apropriado, embora a localização original também não fosse de menosprezar, dado que a antiga Alameda do Infante D. Augusto, segundo consta, já não faz parte da velha Alta de Coimbra. Para quem não saiba a referida Alameda dava acesso directo à velha Universidade, onde, numa zona ajardinada, ao lado da Porta Férrea, a Mocidade Académica o colocou em 1881. Fiquei hoje a saber que o monumento foi desfalcado de 131 caracteres em bronze que originalmente dele faziam parte. Do conjunto constavam três frases que rezavam assim: "Os Estudantes de 1879 a 1871", um outro "Cesse Tudo o que a Musa Antiga Canta Que Outro Valor Mais Alto se Alevanta" e, por último, "Melhor é Merece-los Sem os Ter, Que Possui-los sem os Merecer", frase que viria alimentar, como se deduz, muita da pilhéria académica ao longo de décadas. Por mero acaso, a última frase, mesmo que só, ficaria, de novo, muito bem na base do referido Memorial. O Poeta dos Poetas de certo que agradeceria e nós, sem sombra de qualquer dúvida, ficaríamos com o memorial completo. É que a frase, em falta, faz falta. Vá se lá saber porquê, mas é sempre melhor merece-los sem os ter, do que tê-los, sem os merecer. Embora o leão da estátua ateste bem a falta dos referidos caracteres e do resto. Basta lá ir e reparar. Mas será só a ele, pergunta-se. Apela-se a que sejam repostos os caracteres, mesmo outros, dado que os originais desapareceram e ninguém sabe deles. Um memorial completo é sempre outra coisa.