O apelo à história é sempre útil nos momentos em que o país parece, aparentemente, atravessar uma crise moral e de descrédito nas instituições. Poder-se-ia dar exemplos que talvez não fossem agradavéis, comparações que poderiam ser desajustadas, dessa utilização, ao longo da história. Mas infelizmente essa é a realidade da utilidade do uso da história, pelo poder. Desde sempre.
E, mais uma vez, concordo consigo senhor Presidente. A história. No "estrépido das Comemorações" - frase que peço emprestada a António Manuel Hespanha- surge sempre o passado a apontar para o futuro, a história reveladora de possíveis caminhos para o futuro.
Mas e os construtores da história, essas almas, que vegetam entre a poalha das bibliotecas, manuscritos, incunábulos, a Mitra da Sé, o Livro Negro, a Inquisição, o terramoto de 1755, a II Grande Guerra, periódicos, jornais, revistas, fotografias, história oral, esquecimento e memória, a história da história, o colonialismo, a descolonização, etc., etc.
Embora, também pense ,que construtores da história somos todos. Todos somos actores da história, dessa história a que apelou Senhor Presidente. Não apenas generais, reis, vencedores, mas também soldados, párias, vencidos, povo, arraia-miúda, todos eles comungam no tempo e no espaço.
Ficarei feliz porque no 10 de Junho, Dia de Portugal, Vossa Excelência, tenha recordado de novo a história enquanto lugar da memória? Mas para que serve falar da história senhor Presidente, se todos os dias os historiadores, os professores de história, são constatemente colocados no fim do rol das profissões, neste país. Que história pretende Senhor Presidente? A louvaminha ou a que o historiador, na acepção plena da sua liberdade, consegue discernir no sentido da história? É que a história tem um devir, mas esse desconhecido, por muito que se apele ao passado. A história tem um fim, não, não tem Senhor Presidente, a história persegue apenas um desiderato, a (por vezes impossível) procura da verdade.
Mas a história que nos interessa, está viva </span>e são altamente recomendáveis estes caminhos.
