Prosas vadias

Coimbra a ver passar o Eléctrico

Em tempos que já la vão, responsáveis da edilidade coimbrã, tomaram a excelsa resolução de por cobro a uma forma de transporte obsoleta, poluente, ruidosa e marca de um tempo que Coimbra queria esquecer rapidamente. Cidade moderna, cosmopolita, não se compadecia então com este tipo de meio de transporte urbano. Coimbra, cidade de doutores olhava o futuro com elevo, os futricas esses não olhavam para lado nenhum. O passado era lá atrás. Hoje, os responsáveis de um novo meio de transporte - vulgo metro de superfície- entraram já na era das "obras inacabadas".  Projecto cujo o desfecho se prevê, após o gasto de milhares e milhares de euros, embolsados não na construção, mas na sua idealização, na construção da virtualidade do projecto, repousará na memória urbana, como repousou durante muitos e muitos anos a zona denominada como o "Bota Abaixo".  A megalomania do projecto redundará num "projectinho". Marcado agora para as calendas do fim da crise. Resta-vos olhar, não para a virtualidade, mas para uma realidade, que hoje, quase de certeza absoluta, permitiria a Coimbra, se tivesse sabido manter alguns dos percursos, possuir um motivo de atracção turística, de manter a sua identidade própria. Nem o Museu do Eléctrico coimbrão souberam ainda dinamizar convenientemente. Como se muitas cidades portuguesas se pudessem orgulhar de algum dia terem podido ver passar nas suas ruas este meio de transporte. Se bem me  lembro, recordando figura impar, só  três cidades dele  vão usufruir  já electrificado - Lisboa, Porto e Coimbra -  onde, segundo sei, não  foram mandados para um museu escondido e pouco visitado. Só outra cidade portuguesa, Figueira da Foz, possuíu,  até por volta dos Anos  Trinta, o denominado "carro americano" - já não vendo passar, no percurso que ligava a velha estação ferroviária local a Buarcos, a versão que depois seria adaptada à electricidade emergente.  Nas duas primeiras cidades ainda circulam, para gáudio do turismo, dos habitantes, mantendo identidade e marcando, com a sua presença no ambiente urbano, a marca do convívio salutar entre o modernidade e passado. Só em Coimbra...se ficou a ver passar, para sempre (?), os seus Eléctricos.


 





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