Prosas vadias

Coimbra e o "General sem Medo"


 


 


A nova visão do "general sem medo", atravessa hoje o quotidiano histórico nacional. O Homem que proveniente do interior do Estado Novo, desafiou o regime de Oliveira Salazar até ás ultimas consequências. Após as feéricas eleições de 1958, Humberto Delgado ficaria só. Hoje até a memória do processo encetado pós 25 de Abril sobre o seu assassínio parecem querer calar. A recente biografia concretizada por seu neto, o historiador Frederico Delgado Rosa, dá-nos conta do estado em que encontrou este processo. Embora repentinamente tenha surgido a sua transferência para a Torre do Tombo. O que se saúda, embora não se compreenda o estado de desleixo e incúria a que terá chegado a documentação do referido processo. Quer dizer, compreender, compreendemos. Mas gostava-mos de saber o porquê, de forma mais pormenorizada. Incúria que o historiador apelidou de ser a "terceira morte" do avô.


Parte da história deste português só e da sua passagem por Coimbra, durante a campanha eleitoral que protagonizou, num acto de coragem, através do qual obriga a própria Oposição a reposicionar-se, bem como o regime a mandar liquida-lo, pelos esbirros do costume, pode ser vista agora na Casa Municipal da Cultura (Rua Pedro Monteiro). Humberto Delgado venceu as eleições de 1958, embora disso poucos registos existam, mas, a memória fotográfica dessa campanha atestam o nível de participação cívica que abalou o regime e objectivou que a propaganda desenvolvida pelo poder já não compunha, nem bastava, o Portugalinho do viver habitual. Embora só 16 anos depois e após a morte de Oliveira Salazar, a vitória do General fosse completa, pagando a ousadia com a  própria vida, como tantos outros. Saibamos erguer a memória desses anos de chumbo, que homens do calibre de Humberto Delgado existem poucos.


 


 

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