Alguns burros continuam a olhar o país como um imenso lago de comunistas. Trinta e tal anos depois as sequelas do "Verão Quente" ainda lhes arrasam os nervos. Por outro lado alimentam essa velha ideia que só o PCP, sem máquina de propaganda paga a peso de ouro, reconhecendo que este, através da sua bem oleada máquina partidária consegue, por si só, uma militância que não está ao alcance dos partidos que regularmente assumem a governação. O PCP intimamente deve agradecer o reconhecimento que essa ideia proporciona. Por outro, minimizar a Lisboa, de ontem, apenas alimenta e acarreta mais isolamento e a alarvidade de alguns comentários que atravessam as leituras de hoje. Que cada um tenha direito a opinião. De acordo. Opinião. Embora quando opinião se conjuga com estreiteza de horizontes releve isso mesmo: um ou mais asininos em potenciação. O comentário é válido para ambos os lados da barricada. Confundir os números de manifestantes com o escol militante do PCP é um erro. E os erros costumam fazer-se pagar. Por cá mantemos a ideia de aversão à rua. Embora não sejamos contra quem a utilize. É um direito, esperemos que o continue a ser. Se resolve alguma coisa. Achamos que não. Essas resolvem-se através de um outro tipo de mudanças. No meio de tudo isto arregimenta-se a confusão que as polícias geraram na ida às escolas tentar...bem, se conseguirem explicar o que foram lá fazer com algum realismo já não seria nada mau! Agora aguentem esta imensa maioria de insatisfeitos e pensem que ainda há bem pouco tempo alguns se riam com as expressões numéricas das greves. Quando os números avançados começaram realisticamente a divergir algo corria mal no reino. Ontem, os números, incrivelmente, não foram desmentidos por nenhum Secretário de Estado. Como diria Fernando Pessa ...e esta hein! O P.R. continua no Brasil e lá comemora o segundo aniversário da sua nomeação. Já? Alguém deu conta?
Foto: William Blake