Educado na Igreja Evangélica, versão portuguesa (fortemente influenciada pelas congéneres americanas), os seus seguidores eram então intitulados pelos católicos, sobretudo os rurais, como "protestantes". Designação de certo modo a roçar o ultraje, embora, sem o saberem, útil. Recordo-me que em 1972, recém-chegado a uma pequena aldeia da margem esquerda do rio Mondego, sendo pessoas desconhecidas ao meio e praticantes de outro culto, foi esse facto rapidamente conhecido, tornando-se fácil aos meus familiares, aquando de visita, darem com a casa de meus pais, pois bastava-lhes chegarem e perguntarem onde moravam os "protestantes". Embora esta fosse designação errónea dado que, sendo evangélicos, nada tinham que ver com o protestantismo do norte e centro da Europa.
Recordo ainda as diferentes publicações de caractér anti-soviético que os "Evangélicos" editavam e faziam circular antes de 25 de abril de 1974, entre os seus seguidores, a maioria traduzidas do brasileiro, e de os designados "pastores" evangélicos referirem muito a "cortina-de-ferro" a que atribuíam, de certo modo, um carácter satânico. Postura que acabaria por constranger o regime político, então vigente, a instigar maior perseguição aos seus seguidores e, por via desse facto, ao abrandamento da coação psicológica encetada pelos meios católicos mais tradicionalistas e conservadores portugueses, também eles profundamente e igualmente anti comunistas. Memórias de infância, que foram reavivadas a propósito de ter seguido com atenção os comentários colocados na blogoesfera intitulados "Ite Missa Est" e "Amén", que li e que fizeram recordar esses tempos a quem, hoje, acompanha à distância a questão religiosa, incrédulo na prática e distanciado pela postura social e mental das diferentes seitas religiosas que evoluem em Portugal, embora a figura histórica de Cristo e alguns princípios enunciados pelo cristianismo pré-romano sejam para mim interessantes, do ponto de vista filosófico, determinados pelo propósito do retorno (no caso, sem carácter obrigatório) do latim aos eventos convocados pela Igreja Católica. Pouco conhecedor dos meandros das questões católicas, embora conhecedor da sua influência, recordo o país maioritariamente católico que nos era apresentado, onde eram incluídos os católicos não praticantes, como se alguém que não praticasse o pudesse ser (um subterfúgio que me deixava estupefacto, pela sua possibilidade) e interessado visitante das inúmeras obras de arte que a Igreja portuguesa semeou em Portugal, entrevi, na prática evocada, um retorno. Espero que enquanto retorno se fique apenas pelo latim, provavelmente os seus acólitos e seguidores beneficiem da possibilidade de virem a ser considerados poliglotas, o que, convenhamos, não lhes ficaria mal. O problema está que o retorno, que me parece fazer avançar em força as hostes mais conservadoras do catolicismo português, não venha a implicar de novo o fantasma da perseguição religiosa. Espera-se que não. Fique-se atento à renovação católica, dado que nada me move contra o latim, enquanto língua morta, interessante, quer do ponto de vista da epigrafia, quer dos estudos humanísticos. Mas reintroduzir o seu uso nas cerimónias religiosas católicas parece-me outra coisa, soa-me a encenação do acto litúrgico, encenação de um acto que devia ser de vida e não de morte.
Recordo ainda as diferentes publicações de caractér anti-soviético que os "Evangélicos" editavam e faziam circular antes de 25 de abril de 1974, entre os seus seguidores, a maioria traduzidas do brasileiro, e de os designados "pastores" evangélicos referirem muito a "cortina-de-ferro" a que atribuíam, de certo modo, um carácter satânico. Postura que acabaria por constranger o regime político, então vigente, a instigar maior perseguição aos seus seguidores e, por via desse facto, ao abrandamento da coação psicológica encetada pelos meios católicos mais tradicionalistas e conservadores portugueses, também eles profundamente e igualmente anti comunistas. Memórias de infância, que foram reavivadas a propósito de ter seguido com atenção os comentários colocados na blogoesfera intitulados "Ite Missa Est" e "Amén", que li e que fizeram recordar esses tempos a quem, hoje, acompanha à distância a questão religiosa, incrédulo na prática e distanciado pela postura social e mental das diferentes seitas religiosas que evoluem em Portugal, embora a figura histórica de Cristo e alguns princípios enunciados pelo cristianismo pré-romano sejam para mim interessantes, do ponto de vista filosófico, determinados pelo propósito do retorno (no caso, sem carácter obrigatório) do latim aos eventos convocados pela Igreja Católica. Pouco conhecedor dos meandros das questões católicas, embora conhecedor da sua influência, recordo o país maioritariamente católico que nos era apresentado, onde eram incluídos os católicos não praticantes, como se alguém que não praticasse o pudesse ser (um subterfúgio que me deixava estupefacto, pela sua possibilidade) e interessado visitante das inúmeras obras de arte que a Igreja portuguesa semeou em Portugal, entrevi, na prática evocada, um retorno. Espero que enquanto retorno se fique apenas pelo latim, provavelmente os seus acólitos e seguidores beneficiem da possibilidade de virem a ser considerados poliglotas, o que, convenhamos, não lhes ficaria mal. O problema está que o retorno, que me parece fazer avançar em força as hostes mais conservadoras do catolicismo português, não venha a implicar de novo o fantasma da perseguição religiosa. Espera-se que não. Fique-se atento à renovação católica, dado que nada me move contra o latim, enquanto língua morta, interessante, quer do ponto de vista da epigrafia, quer dos estudos humanísticos. Mas reintroduzir o seu uso nas cerimónias religiosas católicas parece-me outra coisa, soa-me a encenação do acto litúrgico, encenação de um acto que devia ser de vida e não de morte.
A foto intitulada "Ecce Homo" faz parte do património artístico português e pode ser apreciada aqui. e foi retirada deste sítio.
