foto: Parcial da primeira página de a Beira Nova, nº 1, 1932, Sertã. Retirada daqui.
Embora recuse o chauvinismo, deparei-me com esta parolice provinciana num jornal regional. Em bicos de pés, subserviente como quem não quer a coisa. O director adjunto não deixa de referir que " A equipa redactorial teve a feliz ideia de apresentar a primeira edição de aniversário (a segundo será na próxima semana) com os textos escritos de acordo com as futuras regras de ortografia, saídas de um acordo que ocupou os tempos livres de muitos dos nossos agentes culturais e que, à luz do nosso entendimento, era de todo desnecessário. E se por acaso o não fosse, não consigo entender porque há-de ser a língua mãe a aproximar-se dos facilitismos brasileiros, afastando-se da sua própria raiz latina que lhe deu vida, a suportou e cultivou durante séculos. Não virão longe os tempos em que, escreva-se como se escreva, está tudo certo. É a própria Cultura a ceder aos interesses".
Embora poucos leitores notem as alterações ortográficas ao português na referida edição, apenas os mais atentos, os que aprenderam a escrever sem erros, as vão detectando. Se a pretensão do jornal é realçar a asneira das modificações impostas pelo referido "açordo", a iniciativa
querendo infirmar, revela. Ao tratar os leitores por acéfalos, diz-lhes que, afinal de contas, se não distinguem as diferenças, estas pouco representam no seu quotidiano. Como se fosse isso que estivesse em causa. Dai, concluímos, ser desnecessária tanta conversa de intelectuais. Por isso mesmo o que aqui parece querer transparecer, não é. Mas é uma bacoquice. Embora o não queira parecer.