Foto sacada neste agradável local
As vadiagens virtuais de hoje, para além de assunto que considero fundamental, em termos de futuro, relacionado com o forte interesse do consórcio político europeu em criar filtros no interior da internet, a reboque da luta contra a pedofilia, assunto que de certeza muitos partilham, embora não se concorde que a reboque de uma causa, a que poderemos chamar nobre, seja proposto e imposto o controle e vigilância sobre a rede. É que boa causa pode transformar-se em má causa, basta que caía nas mãos erradas. Ou se mudem as políticas. Ou os políticos. É que minimizar, ou debelar definitivamente, outros tipos de "danos" provocados pela existência da blogoesfera está a um passo destas políticas. A questão do anonimato como fuga a responsabilidades e a imposição do silêncio por qualquer tipo de poder (político, judicial) são ambas do mesmo foro. O anonimato protege, o político e judicial descrimina e protege. São casos e assuntos que em Portugal começam a prosperar. Não se defende o anonimato como forma de existência na blogoesfera. A máxima liberdade com a máxima responsabilidade não é mera questão ética. Sabemos que este é um país, outros, por essa Europa fora existem, onde não se podem tratar certos factos sem que os actores, não ripostem com a força policial ou da justiça para calar a denúncia. Sabemos que o anonimato permite igualmente levantar suspeitas onde não existem. O problema levanta-se quando existem, são reais, e se pretende que estas se calem, por todos os meios. Pode-se estar a coarctar a liberdade de dizer a verdade, de a pessoa estar a dizer a verdade. Antes de mandar calar, apure-se então a verdade. No entanto ambas as situações acontecem. Demasiadas vezes. Foi neste vaguear que descobri um outro blogue que partilha no nome algo a que estas prosas se remeteram: a vadiagem nos assuntos e nas reflexões pessoais. Permitiu a descoberta, esse outro factor que considero como uma das grandes riqueza da rede, de uma personalidade humana que diz palavras assim : «Os muros não existem para nos conter. Os muros existem para conter as pessoas pouco interessadas. Para os empenhados, o muro é o sinal do seu empenho.». Continuemos então. A derrubar muros, saltando-os, ajudando a que sejam demolidos. Sendo na nossa pessoal perspectiva o caminho, escrevo, único para que se consiga viver com algum sentido. Continuemos a ser vadios com essa rara substância que só o verdadeiro vadio possui: a liberdade. Mesmo sabendo que essa liberdade, inteira, não existe. E que as amarras que porventura nos impomos apenas sirvam para aportar em qualquer ignoto porto. Um nada que é nada, que nada é, mas que pode ser tudo. Vemo-nos por aí.