Prosas vadias

Facebokas


 


 


O Rui foi meu professor. Nas aulas, a disciplina era de opção, sentava-me habitualmente nas ultimas carteiras da sala. Sempre no canto esquerdo. Nunca me sentei no canto direito. Ao longo de um ano, sim, ainda estávamos fora de Bolonha, aprendi, além das matérias abordadas, a gostar do ser humano que o Rui sabe ser. A forma como o Rui abordava os assuntos, o fino sentido de humor. O Rui obriga-me agora trata-lo por tu. Por vezes esqueço-me e lá volto ao velho tratamento. Mas o Rui, sabe o porquê deste esquecimento. O Rui não vai ficar chateado por. mas uma vez, o ir citar, nas deliciosas notas que vai plantando em A Terceira Noite. A última refere-se ao Facebook. Tendo também, e mais recentemente, entrado na plataforma social, onde os intuitos eram os mesmos que o Rui expõe. Passatempo. Manter com  família mais chegada trocas de pequenos "galhardetes", pequenos apartes, apenas entendidos entre nós, etc.. Contudo as pessoas que se movimentam na esfera mais privada da minha vida particular  foram achando pouca piada à conversa que ia, aqui e ali, mantendo, com outros amigos, neste caso amigas "virtuais", a quem fui abrindo a caixinha do Facebook. E, o caso azedou. Feriram-se susceptibilidades. Nunca me imaginei a ter que gerir este tipo de situações. A trivialidade assumiu proporções que ultrapassavam uma saudável relação com o mundo virtual. Raiou as fronteiras do alienante. Tal como o Rui, não quero chegar a presidente de nenhuma junta de freguesia, nem de nenhum clube recreativo e cultural, seja lá onde for. Queria apenas ir debitando alguns gostos pessoais, pequenos ditos sem grande importância, trocando impressões, com quem as sabia trocar. Nem sequer o intuito de coleccionar "amigos virtuais" como se de uma "colecção de cromos" se tratasse, como  por ali acontece não raras vezes, e a quem não se presta atenção. Alguém escreveu que o Facebook apresenta alguma similariedade com uma parte do que somos, quer como indivíduos, quer como sociedade. Hoje ao abrir o blogue do Rui, para além de textos com muito mais importância, destacava-se este, pela forma como está escrito, ultrapassa aquilo que poderia escrever sobre as "férias" que resolvi tirar no Facebook.

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