" Do berço não me recordo bem, mas lembro-me que os meus pais, felizmente, nunca me ensinaram estas coisas, bem pelo contrário, embora sempre permitindo que eu viesse a pensar o que achasse mais certo. E nada me leva a suspeitar que não fossem portugueses, que não fizessem parte deste demagógico "nós portugueses" a que Jardim recorre. Os pais da minha mãe moravam na Rua do Noronha, por detrás da Imprensa Nacional, e os do meu pai na Rua Correia Telles a Campo de Ourique. Terão sido menos portugueses por não pensarem o que pensa Alberto João Jardim? Como dizia Pacheco Pereira, se Jardim berrasse menos e pensasse mais..."
O Fio do Horizonte era o mote para as crónicas diárias do jornal Público. O parágrafo foi transcrito da crónica de Sexta Feira, 24 de Agosto de 2007. E não me apetece escrever absolutamente mais nada. Apenas isto. Eles partem, parecendo que as referências éticas e estéticas se sepultam com o eclodir do novo século . Mas acreditem que as sementes, por muito árida que possa parecer a terra em que são espalhadas, acabam por florescer. Nós, por cá, continuaremos a aturar, por mais uns tempos, as bestas, que tão bem soube caracterizar.
Rua do Noronha, entre 1898 e 1908.
Rua do Noronha, entre 1898 e 1908.
