Prosas vadias

Fradique Mendes ou a melancólica em A. Sousa Homem


 


Descobri as crónicas vai para um ror de anos. Nos tempos do Independente. Estas de que agora se fala no DN antigo. Escrita, quase penumbra, que revelava um outro tempo, outras circunstâncias, num permanente apelo à memória pessoal. Quase arquivística. Anacorética. Com invulgar capacidade para associar memória pessoal à história e  à actualidade.


A recente edição da obra "Os males da Existência" com subtítulo "Crónicas de um reaccionário minhoto" de António Sousa Homem, serve, por isso, de motivação para estas parcas palavras.


Que outros mestres (quem sabe se o próprio, quem sabe) já se abalançaram bem melhor no panegírico. Vale pela descoberta, ou redescoberta, em tempo de velocidades estonteantes. O autor pára o tempo, devolvendo-o com uma magnitude àspera enroscando memórias pessoais ao sabor dos dias vividos. 


As mais refulgentes crónicas que povoam a alma portuguesa neste começo de novo século, com as quais brinda a  "blogosfera", bem como a crónica jornalística nacional.  Português de 88 primaveras, diz-se, de sabedoria, misturadas com um intenso perfume de vida, vivida e saboreada. Parece. Não sabemos. Mas que interessa.


 "Como a memória nos ensina, chegamos sempre atrasados ao lugar onde a vida teria começado. Mas esse é um assunto que deixo para a próxima semana. Adiar é a única coisa que faço razoavelmente." -escreve A. Sousa Homem. Não adiemos a memória deste suave e impoluto contador de memórias por muito tempo então. Antes que se fine.


Possa ele ser ou parecer reaccionário, num tempo relativo. Se por algum motivo o for queiramos também ser reaccionários assim, de reagir. Lêr as suas crónicas é ao mesmo tempo recuar no tempo com ganas de enfrentar o futuro. Assim seja. 

 

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