Lá na terra das mil oportunidades, como se dizia, sabe sempre bem ouvir a verdade em primeira mão, simples e directa. Comovida e saudosa. Vinda do outro lado do Atlântico. Dessa Big Apple portuguesa. Confesso que sempre me assustou uma certa imagem que os portugueses difundiam deste cantinho pelo mundo. As próprias imagens transmitidas pela televisão eram verdadeiramente desastrosas. A cultura que difundiam estava centrada nos anos Cinquenta e Sessenta. Mas o problema era outro e estava igualmente no interior do próprio país. Essa percepção talvez se deva a esse encontro fortuito com um grupo de portugueses que me vieram perguntar num "arrazoado" francês onde é que se podiam "apanhar" (literalmente) os bateaux-mouches do Sena, acentuavam "bárcós" para que os conseguisse entender. Traziam cestas de vime e garrafões. Respondi em português as informações que eles desejavam. Ficaram confusos...perguntaram-me como é que um francês falava tão bem português! Perguntei-lhes de onde eram eles...de perto do Porto, responderam vários, em uníssono. Curiosos e confusos, com um português que não parecia nada português. Eu estava confuso e divertido com a confusão deles. Respondi-lhes que era alfacinha de gema, com gestão em Coimbrinha. Ou seja mais Coimbrinha que alfacinha. Era tão português como eles e estava ali precisamente a fazer o mesmo que eles. De passeio. Éramos portugueses, todos iguais, todos diferentes.
A Foto acompanha um delicioso texto etnográfico sobre cheiros e sabores portugueses, que no fundo me "obrigou" a escrever este texto.
