O Galinho está aqui!
Uma muito interessante referência chegada através do "Hoje à Conquilhas, amanhã não sabemos", que me faz recordar esse, muito desconhecido, álbum da prodigiosa "Banda do Casaco", prodigiosa e nascida fora de tempo, que transporta o texto desde o "Disrupções", chamou a minha atenção. Não pelo que pode acalentar enquanto conhecimento do país no mundo, mas pelo que me transmite da crise americana, na qual influentes empresas de turismo oferecem agora aos seus clientes destinos baratos, relativamente seguros (condição essencial) e relativamente modernizados de acordo com padrões e modelos importados. Estamos longe das propostas de António Ferro, ideólogo do aproveitamento historicista para dinamizar a sua "indústria de sonho" e nele erigir aquele que então seria considerado como um plano demasiado ambicioso de "Pousadas" em Portugal (leiam o artigo sobre estas no NYT), embora não plenamente realizado. Estamos sim mais próximos das políticas de incenticvo turístico desenvolvidas pelo delfim do Estado Novo, Marcelo Caetano e César Moreira Baptista, o homem indicado para substituir Ferro, aquando do seu exílio forçado em Roma, que estabelecem o muito desejado "Estatuto de Turismo" através do qual orientam a politica turística portuguesa em função do mercado, necessáriamente um destino turístico concorrencial para aproveitar a eclosão da massificação das viagens após a II Grande Guerra. Nada se erigiu hoje, a semente do que hoje somos turísticamente tem raízes no passado.
Não esqueçamos contudo a importancia contemporânea do turismo enquanto indústria, mas também não esqueçamos "os não-lugares" de Marc Augé e da necessidade de reeducacão do olhar dos viajantes. Um turismo ou um turista que não interage com os autoctónes, que não deseja compreender os lugares que visita é meramente uma bolsa com dinheiro, um produto cultural da massificação do turismo. Chegamos tarde ao turismo de massas, mas chegamos. Sejam bem vindos.
Não esqueçamos contudo a importancia contemporânea do turismo enquanto indústria, mas também não esqueçamos "os não-lugares" de Marc Augé e da necessidade de reeducacão do olhar dos viajantes. Um turismo ou um turista que não interage com os autoctónes, que não deseja compreender os lugares que visita é meramente uma bolsa com dinheiro, um produto cultural da massificação do turismo. Chegamos tarde ao turismo de massas, mas chegamos. Sejam bem vindos.