Recente polémica sobre o troço Pampilhosa - Figueira da Foz, tem trazido os políticos locais entretidos numa troca de comunicados entre si, à falta de melhor. Pelos vistos não se apercebem, na sua autofagia, do desaparecimento de uma cidade que, por acaso, se chama Coimbra. A questão do velho ramal vem de longe, desaproveitado e abandonado ao longo de décadas, irá agora ser encerrado...para obras. Construído e aberto a expensas particulares, e a contra gosto do governo de então, estava-se em 1882, a linha servia os interesses da Companhia da Beira Alta e da Sociedade Francesa que a explorava. A Figueira da Foz, e o seu moribundo porto fluvial, era então a miragem por onde pensavam fazer entrar a matéria-prima de que se alimentariam as suas locomotivas - o "pet-coke", chegado, por via marítima, da Velha Albion. Coisa que nunca aconteceu, por via dos interesses instalados em Lisboa, que não acederam a dotar o porto e a barra figueirense das condições necessárias para que tal sucedesse. A maior parte desse material viria a entrar sim, mas pelo porto de Leixões. Perceberam? Dai que referir a ligação ao porto da Figueira da Foz, seja hoje um abuso. Se bem que o Ramal tenha o seu términos naquela cidade pouco foi utilizado para essa função.Até hoje. Estamos nós ainda à espera das badaladas conclusões do Ramal do Tua, e vem a REFER e manda encerrar o ramal da Pampilhosa, preocupada com o estado em que se encontra a referida linha. Muito bem. Embora não compreenda absolutamente nada do que tem sido dito quer pela população da cidade de Cantanhede e seus eméritos políticos sobre o estado da linha e sua utilização. Ninguém sabe e poucos se interessam. Ora, na liça, encontram-se o Presidente da Câmara de Coimbra e o Governador Civil, duas personagens de alto gabarito, que em muito contribuíram para o estado comatoso da cidade donde sou habitante. Já agora, porque mais importante, talvez até mais que as obras no ramal, porque acabará por transformar indelevelmente a paisagem, perguntamos em que ponto se encontra a construção do futuro tabuleiro da IC2, a passar por cima da mata do Choupal e terrenos adjacentes? Que traçado aquele, não acham? Podiam acabar com o Choupal. Tiravam umas fotografias ao que sobra, mandavam-nas para a Hemeroteca Municipal e arrasavam o desaparecido e abandonado Choupal, de uma vez por todas. Assim como o Ramal, foi agora descoberto pelos senhores de Lisboa, e pelos autarcas locais, em tão boa hora, para assim gastar mais uns tostões do orçamento e zelarem pela segurança de uns quantos, poucos, quase nenhuns, utilizadores da linha. Quem da região os terá avisado que ali se podiam gastar uns milhares de euros? Quem teria sido? Esperamos que as obras não venham a parar por falta de orçamento. E espero que a ronceira máquina que ainda à pouco e poucas vezes circulava no, agora famoso, Ramal, venha a ter algum futuro. Melhor que a morte à muito anunciada.
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