Confesso, antes de mais, que escrevo hoje sobre assunto sobre o qual não possuo nenhum conhecimento. Mas, possuindo uma já muito razoável experiência sobre Centros Saúde, Urgências hospitalares e sobre os seus profissionais (médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar) venho discorrer de forma reflexiva sobre o que ontem aconteceu nas Urgências hospitalares de uma grande unidade de Coimbra. O que aconteceu não difere muito do que que já tinha ouvido contar, citar e viver a outros. Sabemos que em épocas (dizem-nos) de mudanças profundas, radicais mesmo, o clima instalado gera, por ineficiência dos mandantes, por incapacidade gerais do ser humano de se adaptar rapidamente ás mudanças, problemas que urge, antes de serem implementadas novas tendências (estamos no século XXI, temos que utilizar os novos conceitos!) e um conjunto de novas práticas, adequar e prever antecipadamente da possibilidade de falhas no sistema agora imposto. A racionalidade não devia, nem deve ser apenas económica, nos gastos, como também devia ser nos pagamentos finais do utente (eis a definição do que somos quando entramos num hospital), nem a preocupação fundamental deveria ser a de reduzir, ou colocar em lugares chaves do hospital, como são as urgências e a triagem dos doentes, médicos em princípio de carreira, estagiários de medicina a enfrentar o monstro da doença e da morte que diariamente ali acorrem. Afastando por motivos economicistas os mais experimentados, os mais capazes, os que pela experiência deveriam dirigir aqueles serviços. Pois ontem à Ana, aconteceu uma dessas experiências, que urge recordar, para alertar, que não denunciar, sobre perigos que podemos enfrentar, quando nos entregamos, nas mãos daqueles que por inerência das funções que desempenham supomos todos que tenham competências á altura dos serviços que prestam. E que no caso concreto as parecem não ter. As dores que apresentava situavam-se tangencialmente entre o plano cranial e o caudal, na região do ventre e apresentado sintomas febris. Eram 21.15 minutos quando deu entrada no serviço de triagem, três horas após estava a ser-lhe proposta uma intervenção cirúrgica que implicava intervenções ao nível da vesícula e do apêndice. A Ana, embora não sendo médica, pediu uma segunda opinião a um segundo médico, seu conhecido, que aconselhou a médica de serviço a configurar e a ponderar a situação clínica do doente, parando, inclusive a sua ida para o bloco operatório, propondo apenas que fosse efectuado um clister ao doente, que minutos antes, se não tivesse alguns conhecimentos fisiológicos e de sintomatologia esse Médico amigo e conhecido e com credibilidade na comunidade médica desta cidade, estaria a ser operada. A Ana resolveu arriscar, colocando em causa a decisão DA TRIAGEM e acabou por sair do hospital por volta da 01.00 da manhã de hoje pelo seu pé. A reacção da Ana ao surrealismo da situação, valeu-lhe acordar hoje sorridente, continuar com o seu apêndice, com a sua vesícula, nada que não tenha sido debelado com um clister e uma botija de água quente na região abdominal.
Medicina Alternativa ou Triagem veterinária
Publicado 19-09-2007
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