Grassa por aí um medo que conforma.
Impera de novo o manga de alpaca que espreita, abanando a cabeça, sempre a dizer que sim, quando se lhe afigura quem manda.
De costas aquele surge o manguito.
O gesto escondido do escravo que não se liberta dessa condição.
Medra o individualismo. Toma proporção, sabendo que o isolamento quebra solidariedades.
Ao medo pacóvio da mudança, regido pela economia, cola-se o salve-se quem puder. Soletra-se o verbo apenas na condição da primeira pessoa.
Crescem desmesuradamente umbigos nestas gentes.
Rebenta pelas costuras a indigência mental.
De tantas vezes curvados, ao chão apenas lhes falta um palmo.
Cai tu antes de mim, ouve-se.
E o medo toma conta deles.
Engordam a sorver as gotas do medo próprio.
Escarnecem dos que avançam de cara destapada e ao vento, eles que cambaleiam na horizontal.
Enterram-se junto com o seu próprio medo.