Prosas vadias

Monólogo

Grassa por aí um medo que conforma.


Impera  de novo o manga de alpaca que espreita, abanando a cabeça, sempre a dizer que sim, quando se lhe afigura quem manda.


De costas aquele surge o manguito.


O gesto escondido do escravo que não se liberta dessa condição.


Medra o individualismo. Toma proporção, sabendo que o isolamento  quebra solidariedades. 


Ao medo pacóvio da mudança, regido pela economia, cola-se o salve-se quem puder. Soletra-se o verbo apenas na condição da primeira pessoa.


Crescem desmesuradamente umbigos nestas gentes.


Rebenta pelas costuras a indigência mental.


De tantas vezes curvados, ao chão apenas lhes falta um palmo.


Cai tu antes de mim, ouve-se.


                           E o medo toma conta deles.


Engordam a sorver as gotas do medo próprio.


Escarnecem dos que avançam de cara destapada e ao vento, eles que cambaleiam na horizontal.


Enterram-se junto com o seu próprio medo.


 



 

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