Prosas vadias

Noites longas...apesar de acabarem cedo.

Era, foi para ali na Av. Afonso Henriques, no meio do silvado, numa casa velha, por fora , semeada entre monjas e famílias de nome, com o Liceu já José Falcão, o Aviz e o Ritz, cafés de todo o mundo. Dentro da velha casa ergueram-se, ao longo de anos, mil mundos, desvarios, amores e desamores, profetas e desgraças a eito. Quase que vi tudo. Quase. Só pode saber quem por meados dos anos 70 e princípio dos 80 habitava esta cidade velha e nova ao mesmo tempo. Uma cidade velha e nova? Ao mesmo tempo? É isso mesmo o que a cidade sempre foi. Para o bem e para o mal.
Mas não interessa, naquele tempo só havia mesmo o "&TC" e a "OUI". Não vou dizer mais nada sobre o assunto. Isto é só para quem sabe e para quem viveu. Duma e de outra nunca fui segregado, nestas coisas as cidades tem destas coisas. Segredos e segregações. Não me perguntem porquê. Talvez porque no " Triana" e no "Trianon" tivesse amigos, daqueles de peito. Que aparecem quando dá jeito. Lembro-me de guerrilhas e da paz. O "&TC" antes de se finar, de morrer ajaezado, à andaluza como rimava o poeta, com direito a velório saudoso, dos muitos que por lá haviam passado, deixou na noite coimbrã, apesar de tudo e de todas as noites que a continuam a preencher, um vazio. Um vazio indescritível, que só ouvisto. Ora ouçam.



Existe quem lhe chame "avantgarde", assim, tudo pegado. Vá-se lá entender esta gente.

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