
Hoje apenas quero referir a raça. Nas diversas vertentes. Antropológica, zoológica ou então na abordagem coloquial associada que é à determinação. Isso mesmo a determinação. A vontade firme. Isso mesmo, a vontade firme. Na promoção de justiça social, de afirmação da cidadania. Venho escrever sobre a raça. Poderia ter escrito sobre qualquer outra coisa. Mas hoje ninguém me obriga a escrever seja sobre o que for. É sobre a raça. Poderia ser sobre micro-ondas. Mas não. Esta questão, a da raça, sobrevoou-me o dia. Lembrei-me do renascimento da raça logo pela manhã. Penso que fui alertado para a questão a meio da manhã. Não posso precisar. Mas a meio da manhã, recordo perfeitamente, ter sido assaltado repentinamente por problemas de raça. À tarde tudo se compôs mas a raça instalou-se novamente entre dúvidas que se foram acumulando. Será da raça? Obsessivamente a raça instalou-se. Logo em mim que sou de má raça.
- Alto lá com essa catadura, repetia para comigo, em profunda lucubração.
Hoje passeei pela raça como cão em vinha vindimada. Poder-me ia ter dado para pior. É tudo uma questão de raça ou da raça. Afianço que não sei. Por vezes estas confundem-se. Alguém lhe podia dizer que o 10 de Junho é apenas Dia de Portugal e não JÁ da raça. Quer dizer já não estamos em pleno século passado. Nem vivemos no dito regime no qual muitos viveram ao longo de quase cinco décadas. Para ser mais preciso, para os mais desatentos, em 1944, no dia em que Oliveira Salazar inaugurava o então estético Estádio Nacional, momento durante a qual renomeou o dia como, já não apenas de Camões mas que, por bondade de sua Excelência, passou a ser DA RAÇA. Com a Terceira República passaria a ter uma outra designação: Dia de Portugal, de Camões e da Comunidades Portuguesas. Como muitos de nós sabemos. Parece é que voltou a ser dia da Raça por obra e graça de Sua Excelência. Pois assim seja.