Enquanto Vilarinho das Furnas ecoa já na memória de muito poucos. Ecos de outros tempos. Um tempo calado, ressuscitado aqui e ali por memórias esparsas. Ou quando o estio mostra ainda o esqueleto em pedra da velha aldeia, erguendo-se fantasmagórica, após ter sido engolida pelas águas da albufeira alimentada pelas águas do Rio Homem. O documentário O Sabor da Despedida de Ivo Costa, joga com as palavras, as gentes, as emoções e a paisagem agreste e natural da última fronteira de um Portugal semi-selvagem onde tudo rima também com o nome de um rio: o Rio Sabor. A destruição do património natural ali imposto, tal como em Vilarinho das Furnas, em nome de um progresso espúrio onde toda a resilência será impossivel. A rever se possível e perceber como a Edp actua em nome desse progresso e dessa pseudo capacidade de o país se ir libertando da dependência energética através da destruição do património natural, paisagistico e humano. Onde a envolvência desta nova catástrofe nos parece fazer ecoar os anos Setenta no século XX português. Continua-se a amolecer lentamente em Portugal. É essa estratégia de cerco económico e de silenciamento das populações erigido pelo progresso sentado nos gabinetes da capital que urge ser denunciado. O documentário surge como objecto de preservação memorial da envolvência que rodeia o rio Sabor, o último respiro, um adeus. Sabe a desistência. A morte anunciada.
Post Scriputm: A versão completa do documentário pode ser vista AQUI. Obrigado IMCA.