Particularíssimo país este, pelas gentes, pelo regime político que governa a ilha. Sociedade de ícones e de tragédia. De vozes contra e a favor, reprimidas umas, litúrgicas outras. De meias palavras, nas quais se descobre o sentido inteiro. Como em qualquer outra sociedade ou em qualquer outro regime político. Tendo estado a olhar para esta revelação sobre a manipulação, que, acima de uma qualquer critica ao filme em si mesmo, enquanto objecto cinematográfico, foi o que mais me interessou nele entender, deparei esta noite com mais uma história, esta jornalística, contada em Hasta Cuando? na Rtp1, em mais um exercício sobre as realidades já conhecidas desta Cuba, que nos atravessa os dias. Sem mais, nem menos. Cuba, é o que foi mostrado, mas é também muito mais que o mostrado. Basta entender-se as entrelinhas da manipulação e da contra-informação, encenada sob as infinitas possibilidades que nos proporcionam todos os ângulos possíveis que um olhar contemporâneo sobre esta Cuba, pode permitir. No fim ressalta a sensação de que os deserdados são sempre os títeres de todas as manipulações e encenações. De todas as revoluções e de todos os regimes. Incluíndo os jornalistas portugueses, que já levavam um guião estafado e estudado.
Os bons pastores
Publicado 03-08-2007
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