Prosas vadias

Pedaços de papel


Por vezes entretemo-nos a rever papéis. Rasgamos ou tornamos a guardar o que mais tarde voltaremos a rasgar e assim por diante. Pedaços da nossas vidas. Pedaços do tempo. De tempos diferentes. Hoje entretive-me, para desanuviar de notas de rodapé e da construção de palavras outras e encontrei as palavras assim tal e qual como as rasguei de algures. Uma frase. Uma escrita. Serve como resposta. Uma resposta humana à fúria de viver. Ou a viver sem fúria. Hoje, por sinal, nem fúria, apenas VIVER. Sem medo da memória. Descobrir que o corpo, o nosso corpo, avança por onde menos desejamos. Enquanto nos amarem nunca seremos esquecidos. Não habitaremos no cemitério do esquecimento. Sabemo-lo.

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