Prosas vadias

Uma provável leveza da alma

 


 


 


 


 


 


 


 


 



Foto aqui 


 


 


É só subir no ar,

levantar da terra o corpo, os pés?


Isso é que é voar?

Não.


 


Voar é libertar-me,

é parar no espaço inconsistente,

é ser livre, leve, independente,

é ter a alma separada de toda a existência,

é não viver senão em não-vivência.


 


E isso é voar?

Não.


 


Voar é humano,

é transitório, momentâneo...


Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:

isso é partir e não voltar.


 


 


 


Palavras de Ana Hartely


 


 


pode existir por acaso, por mero acaso, quem possa pensar que as minhas asas se deixam apenas ficar pelas palavras, que aqui submergem nesta espuma dos dias. mas existem assuntos que procuro em palavras outras que me escuso a ponderar aqui. elas existem, só que é preciso subir  montanhas e, isso nem toda a gente sabe fazer, nem toda a gente pode abrir as portas do meu sonho. nem eu podia permitir tamanha facilidade. ficam as palavras com rosto e nome. isso me basta. partir será algo irremediável quando perder as palavras. mas não o fim.

 

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