Prosas vadias

Visto daqui


Portugal é país imerso em manifestações ordeiras. As manifestações ordeiras servem como válvula de escape para as multidões ordeiras. Soltam-se uns gritos, feitos palavras de ordem e vamos para casa. Satisfeitos. Antigamente o futebol desempenhava a mesma função. Dai que se entretenham a organizar manifestações ordeiras, a favor da ordem que querem preservar. Não sou contra manifestações ordeiras. Sou contra a ordem actual, coisa diferente. Enquanto outros, os da ordem, respondem de forma arrogante, mas ordeira, às manifestações que estão dentro da ordem. Trocam-se uns insultos de forma ordeira. Em ordem tudo é permitido.  Até a arrogância. Diz o General que as coisas ordeiras estão controladas. O que está fora de ordem é que importa controlar. O desconhecido. Para isso são precisos mais canhões de água, bastões, botas cardadas, viseiras e escudos, balas de borracha, polícias disfarçados de civis empunhando pequenas câmaras de filmar. Objectos habituais usados por ordem e em ordem para combater uma nova ordem. O espectro da desordem mete muito medo. Na realidade esqueceram-se da palavra revolução. Não existem revoluções na ordem democrática.Só unanimismo consensual, imposto por uma maioria assente em regras eleitorais e democráticas que transformam minorias em maiorias. As eleições são a única forma de mudar a ordem sempre dentro da ordem. Fora desta é impossível. Se não é, parece.

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